sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rápida avaliação do 1º Encontro de Unidade e Ação Anti-Capitalista de Pernambuco

Por Edilson Silva*

As forças políticas anti-capitalistas, historicamente, nunca tiveram na unidade teórica, programática e política o seu centro de gravidade. Esta situação agravou-se sobremaneira com a “queda do muro” (lá se vão mais de 20 anos) e com as alterações metabólicas no sistema capitalista percebidas na última metade de século, alterações que ainda não sofreram por parte dos socialistas uma crítica com a profundidade necessária para iniciar a superação da reinante crise de paradigmas da chamada esquerda socialista revolucionária.

Neste cenário, o evento anti-capitalista em Pernambuco, realizado no último dia 19.02, não poderia ter sido mais do que efetivamente se verificou: o esforço de uma reduzida e aguerrida vanguarda. Vanguarda que se dispôs a manter-se por meia manhã - não mais que isso -, reunida sobre o tema anti-capitalismo. Portanto, tenho dúvidas se elogios excessivos na avaliação, como chamar o evento de “momento histórico”, ajudam no processo de reorganização. Creio que talvez chamá-lo de momento de humildade histórica, de todos nós, orquestrado com doses cavalares de habilidade e paciência de quem se dispôs a conceber, organizar e conduzir o evento, seja o mais adequado. Aqui, mais uma vez, o papel importante dos indivíduos na história se fez presente.

Esta primeira conclusão, porém, não pode ser confundida com ceticismo. O evento foi muito positivo, pois diante da referida fragmentação, pontilhada com vieses de impossibilidade de convivência política mínima entre muitas das forças anti-capitalistas presentes, o fato de colocarmos num mesmo auditório forças partidárias como o PSOL, PSTU e PCB, lideranças do movimento anarquista, movimento negro, ambientalistas, movimento sindical e popular, movimentos de juventude e indivíduos críticos ao capitalismo, não pode ser visto como algo menor.

As resoluções do encontro refletiram as condições reais em que ele se deu. Ficaram abaixo do necessário para colocarmos a luta anti-capitalista em outros patamares substancialmente distintos em Pernambuco. Tiveram muito relevo no encontro, ainda, vanguardismos, auto-proclamações, ufanismos e imediatismos; confusões entre a luta cotidiana - reflexo da consciência imediata da nossa classe, quase sempre inconsciente das questões estratégicas -, e a necessária estratégia anti-capitalista - reflexo da consciência histórica de classe, esta última, em meu sentir, o que deveria ser o objeto privilegiado da atenção do nosso encontro.

Estas incompreensões levaram mesmo algumas falas a sugerir unidade total daquelas forças, inclusive no terreno eleitoral. Se a unidade no terreno sindical e popular, nas lutas concretas e cotidianas que pautam a vida política, é por regra difícil, que dirá num terreno onde concepções estratégicas são distintas, onde alguns entendem as eleições e o trato com o estado burguês como legitimação deste, outros entendem como momento de mera propaganda do socialismo e outros ainda acham momento indispensável de acumulação de forças e de combinação com as ações diretas na atual quadra histórica.

Nesta moldura, bastante reduzida, devemos e podemos extrair do encontro o seu melhor. Que podemos fazer juntos¿ Um 1º de Maio minimamente inserido no meio do povo, dialogando com as novas demandas abertas pela luta de classes, como a questão étnica e ambiental, reatando um fio histórico entre as origens desta data e as contradições contemporâneas do capitalismo¿ Atividades internacionalistas, com formatos que permitam todas as correntes anti-capitalistas se expressarem¿ O encontro abriu o caminho para um “sim” a todas estas atividades e outras, inclusive. Se o espírito de unidade mantiver-se, creio que poderemos avançar. De nossa parte, vamos trabalhar para isto.

*Ativista político, assessor de movimentos sociais, membro da Executiva Nacional do PSOL e Presidente do PSOL-PE

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