terça-feira, 23 de novembro de 2010

Transposição do São Francisco: a água não é para beber!

Por Edilson Silva publicado no blog da Folha em 22/11

A Folha de São Paulo traz em seu caderno de economia deste dia 22/11 uma matéria que corrobora com a tese que defendemos sobre o destino das águas da transposição do Rio São Francisco. Segundo a matéria, após a transposição, os nordestinos deverão pagar nada menos que R$ 0,13 por mil litros da água, quando a média nacional é de R$ 0,02. Será a água mais cara do Brasil.


O valor elevado é justificado pelo Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco por conta do alto custo da obra e também da operação. O problema é que as 12 milhões de pessoas que o projeto afirma “beneficiar” já têm dificuldade de pagar atualmente os R$ 0,02 para a água que tem. Como pagarão 650% a mais?


Segundo a matéria, o tal conselho gestor coloca na mesa a possibilidade de os estados “beneficiados” pela transposição socializarem os custos operacionais com os consumidores dos grandes centros urbanos, como Recife, por exemplo.

A natureza deste projeto, os custos da obra e os custos operacionais, conjugados agora com esta expectativa do preço final do metro cúbico da água, não conseguem disfarçar que esta água não é para uso doméstico ou para agricultura familiar, mas sim para uso em escala industrial.


Os enormes canais abertos e o bombeamento da água ficarão “disponíveis” para que estados e outros “interessados”, com infraestrutura própria, comprem a água e façam-na chegar até o destino final. Fazendas de camarão, agronegociantes e indústrias vão fazer a festa. E se os estados “beneficiados” decidirem subsidiar o custo da operação cobrando mais de consumidores como os de Recife, a festa então estará completa.


Enquanto isso, lá no leito original do Rio São Francisco, a revitalização prometida não sai do papel. Depois o Frei Dom Cappio é que é o radical.


*Edilson Silva é presidente do PSOL em Pernambuco

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