sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

#NovaPolítica, para que te quero?

Por Edilson Silva


O Jornal do Commercio tem trazido a público esta semana, através da jornalista Juliane Menezes, divergências entre os atores que vem se propondo a construir o Movimento Pela Nova Política em Pernambuco. Longe de achar que se trata de agenda negativa para este movimento, entendo como salutar a imprensa se preocupar em buscar informar aos seus leitores sobre os rumos deste importante e singular movimento encabeçado em nível nacional por Marina Silva.

As divergências levantadas pela imprensa se dão entre militantes do PSOL que participam do movimento, dentre os quais está este que vos escreve, e os militantes do PV que participam do movimento e que simultaneamente estão abrigados no governo Eduardo Campos, na SEMAS – Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, cujo titular é Sergio Xavier, ex-candidato ao governo pelo PV e que é bem relacionado com Marina Silva.

Procurado pela imprensa (em nenhum momento procuramos a imprensa para tratar deste assunto), não negamos as divergências, mas primeiramente reafirmamos nosso compromisso com o Movimento Pela Nova Política. Reafirmamos nosso apoio à decisão corajosa de Marina Silva de romper com o PV após as eleições de 2010, preferindo se afastar do hegemônico jogo político partidário, tão previsível quando repugnante, simbolizando assim um não à velha política, ao fisiologismo. Reafirmamos também nosso compromisso com a ex-senadora Heloisa Helena, que há praticamente 10 anos se contrapôs à hegemonia do Lulo-petismo, construiu o PSOL, enfrentou os poderosos do país e de seu estado natal, Alagoas, e cumpre hoje com muita honra um mandato de vereadora na capital alagoana.

Estas duas lideranças políticas nacionais, duas mulheres, protagonizaram gestos de coragem, de desapego ao poder, desapego que, em nosso sentir, é o primeiro e indispensável passo para se falar em nova política. É preciso, antes de tudo, saber ser não-poder, ser independente, ser oposição quando necessário, passar por privações pessoais se preciso for. Outros e outras que em outras épocas defenderam o novo passaram por privações maiores, muitos até pagaram com a própria vida para construir o edifício civilizatório que temos hoje. É disto que se trata.

Nossas divergências com aqueles que querem estar no Movimento Pela Nova Política e ao mesmo tempo estão absolutamente vinculados à velha política tem a ver com esta questão de coerência. Não se trata de divergências com o PV, pois René Patriota, por exemplo, militante conhecida e reconhecida deste partido, candidata ao senado em 2010 com quase 200 mil votos, participa do Movimento e tem conosco uma excelente relação, de trabalho conjunto, de pensamento comum na maioria dos temas.  

Divergimos daqueles que estão hoje ocupando a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade e ao mesmo tempo freqüentam e querem falar como representantes do Movimento Pela Nova Política no estado. Como falar de nova política se estão na SEMAS sem respeitar concurso público, num espaço onde a maioria dos seus ocupantes é cargo comissionado? Como falar de nova política participando e defendendo um governo que mantém a destruição dos manguezais para garantir um crescimento econômico predatório e irresponsável? Como, participando de um governo que anuncia a instalação da maior usina suja do mundo no Estado? Como, se negando a participar de audiência pública proposta pela sociedade civil para debater os problemas ambientais no Estado? Como falar de nova política participando ao mesmo tempo de um governo que instala fábricas sem concluir estudos de impacto ambiental e sem publicizá-los, como manda a lei? Como fazer nova política defendendo o padrinho político do Kassab, do PSD, que representa hoje o que existe de mais velho, oportunista e fisiológico na política brasileira?

O que temos dito, publicamente, é que estamos na construção deste movimento, mas que ao mesmo tempo não podemos e não vamos abrir mão de nos diferenciar daquilo que destoa de forma tão evidente do que defendemos. A coerência de Marina Silva e Heloisa Helena até aqui tem sido o referencial para um projeto nacional alternativo ao que temos visto, mas isto não pode significar colocar debaixo do tapete as diferenças que existem entre os que participam do movimento, senão vira, de novo, o velho.  

Presidente do PSOL-PE / Secretário Geral Nacional do PSOL

Um comentário:

  1. Fico feliz que sejamos claros como a mais límpida água na exposição dessas diferenças dentro disso que se propõe o Novo.

    Agora precisamos encontrar o caminho pra vencer este processo de confronto entre a velha tese e a atual antítese para gestarmos esta nova síntese.

    O processo é lento... não segue o calendário eleitoral.

    2012 revelará muitas coisas interessantes sobre os rumos do "MNP", 2014 mais ainda.

    Os resistentes estarão lá para saber!

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