terça-feira, 10 de agosto de 2010

A sinceridade de Jamildo e as alucinações de Evaldo Costa

Texto de Edilson Silva - publicado no Blog do Jamildo
Não resisti e dou aqui uma pausa de alguns minutos nos meus incontáveis afazeres para meter minha colher neste angu “ideológico” entre Jamildo e Evaldo Costa, acerca da identidade ideológica da suposta esquerda que está no poder. Jamildo mostrou, em minha opinião, que é um liberal convicto, posição bastante distinta da minha, que não acredito na supremacia do mercado, mas no planejamento democrático e solidário. Não defendo o fim absoluto e mecânico do mercado, mas a sua subordinação a diretrizes bem planejadas. Contudo, Jamildo provou, em minha opinião, que não é míope e nem é besta, ao afirmar que Eduardo Campos vale-se da doutrina do liberalismo econômico em seu governo.


Já Evaldo Costa sofre do mal inverso. Critica o liberalismo “ortodoxo” e jura de pés juntos que seu governo é popular, de esquerda, suspeito até que pense que é socialista. Concordo com a crítica à ortodoxia liberal-econômica – que não pode de forma alguma ser confundido com liberalismo político -, mas é inegável que seu governo está no quadrante do que sobrou do Consenso de Washington. Sim, do que sobrou da explosão da crise econômica de 2008.


Tivesse a tese ortodoxa neoliberal vigente como doutrina hegemônica, a selvageria do mercado estaria sendo tratada como único caminho possível, como o foi na privatização do Bandepe durante o governo Arraes, cujo governador atual era o super-secretário; ou como foi tratada a Celpe, que foi colocada na bandeja da privatização também sob a batuta do atual governador e então super-secretário Eduardo Campos.


Os governos federal e estadual atuais se adaptam às teses hegemônicas dos grandes grupos capitalistas internacionais, e estes agora dizem o seguinte: o mercado precisa socorrer-se nos cofres públicos para sobreviver e manter as altas taxas de lucros no sistema capitalista. Ou vocês acham que a General Motors, um símbolo do capitalismo, recebeu ajuda bilionária dos recursos do tesouro norte-americano por quais motivos? E os grandes bancos privados?


O capitalismo, desde a crise de 1929, vem alternando mais ou menos intervenção estatal na economia, ao sabor de suas crises cíclicas. Em crises gravíssimas, pede socorro ao estado, admitindo soluções com vieses keynesianos, algo parecido com o que Eduardo e Lula fazem hoje no Brasil e Pernambuco, estatizando investimentos para facilitar a extração privada de mais-valia e gerando uma brutal concentração de renda. Quando esta fase exaure-se, retornam à ortodoxia, buscando a apropriação privada direta (privatização) dos investimentos feitos pelo Estado. Então, não precisa haver desentendimento entre Evaldo e Jamildo, Jarbas e Eduardo, Dilma ou Serra, pois todos estão afinados na defesa da dinâmica estrutural do pensamento econômico liberal. Óbvio que Jamildo está consciente, e respeito muito sua posição, e Evaldo está ainda delirando.

Sobre os exemplos dados aqui em Pernambuco, a miopia e o delírio do auxiliar do governo tomam ares de cegueira e alucinação profunda. Nenhum governo até hoje, nem FHC e nem Serra, tiveram a coragem de fazer o que Eduardo Campos está fazendo na educação: privatização! Na saúde, há o desmonte do SUS e a privatização que desconstrói o pouco de República que tínhamos nesta área. Na segurança pública, outro escândalo: instituição de recompensa, no melhor estilo cowboy dos filmes hollywoodyanos, para diminuir homicídios. Suape é um verdadeiro garimpo que devasta o meio ambiente e gera mais calor do que luz. Já vimos esta história em Camaçari, na Bahia, e hoje aquela região é um grande favelão. Do ponto de vista da nação, o México é um bom exemplo de que crescimento do PIB, puro e simples, pode significar aumento brutal das desigualdades sociais e conseqüentes convulsões sociais, basta pegarmos umas revistas de poucos anos atrás falando sobre o milagre mexicano e compará-las com as manchetes de hoje sobre o México.


Por fim, se o governo que deu certo, na visão do Sr. Evaldo Costa, é aquele que governa o estado com o 5° pior IDH (índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil; em que a educação não atinge uma meta rebaixada do Ministério da Educação; e que paga o pior salário aos professores em todo o Brasil, torna-se compreensível a epidemia de crack que vitima a sociedade pernambucana. Tem lógica.

Presidente do PSOL-PE e candidato ao governo do Estado

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