domingo, 15 de agosto de 2010

Debate pra quê?!

Por Edilson Silva

Tomo emprestado este título, “debate pra quê”, de um jornalista que goza inegavelmente de minha simpatia, e que fez um balanço do recente debate entre candidatos ao governo na TV Clube. O jornalista não viu pra quê o debate. Tomo a liberdade de expor um ponto de vista distinto.
Vivemos numa sociedade que se pretende democrática e que, portanto, pressupõe liberdade política e mínimas condições reais de poder expor esta liberdade. O regime político e suas normas jurídicas no Brasil exigem que a participação em processos eleitorais para os legislativos e executivos seja garantida a todos os cidadãos e cidadãs organizados em partidos, dentro de suas regras, devidamente legalizados junto à Justiça Eleitoral.
Em Pernambuco, entre os mais de 6 milhões de eleitores, as organizações partidárias legais existentes estão se expressando, por enquanto, em 6 candidaturas ao governo do Estado. Ou seja, um candidato para cada um milhão de eleitores. Diante de tamanha diversidade ideológica, religiosa, cultural e regional, dentre outras em nosso Estado, o número de candidatos é até pequeno para uma eleição que se resolve em dois turnos.
Caberá ao eleitor, na hora do voto, dar maioria a quem lhe pareça mais adequado a governar. Caberá também ao eleitor constituir minorias relevantes e irrelevantes no processo de disputa política que acontece não só no âmbito dos governos, mas das oposições. Sim, democracia não é feita apenas por maiorias, mas por minorias.
O que não pode acontecer é os eleitores terem subtraído o seu DIREITO de conhecer as candidaturas. Se há candidaturas abaixo da crítica, a exposição pública das mesmas servirá também para que o eleitor possa constatar por si mesmo, e não através de rankings construídos por meios de comunicação que não conseguem disfarçar seus interesses empresariais.
Então, os debates, por mais que não se transformem numa luta de Box emocionante – com apenas dois oponentes -, como podem querer alguns, são importantes para que a sociedade, dentro dos limites que os formatos impõem, vá formando sua opinião, que necessariamente não precisa ser formada apenas em base a estes debates.
Especificamente com relação ao debate da TV Clube, há fatos que mostram que os debates são sim importantes. O debate não foi só as rusgas entre Eduardo e Jarbas – que, aliás, discordo que sejam rusgas, mas acho que foram exposição de diferenças que são relevantes para a formação de opinião dos eleitores -, mas foi uma oportunidade de os eleitores saberem que Eduardo Campos paga o pior salário da educação do Brasil e que há candidatos que se comprometeram em seus programas de governo a pagar o piso nacional do magistério, proposta pra lá de exeqüível.
Quem assistiu ao debate pode ver que o governo do Estado está tentando trazer para Pernambuco uma usina nuclear, coisa que a mídia não dá atenção, e que uma das candidaturas propõe uma discussão geral na sociedade sobre o assunto e um plebiscito para dizer sim ou não a esta usina nuclear, algo também bastante exeqüível. Pode ver também que a saúde no estado está um caos, mesmo com toda propaganda, com um dos candidatos denunciando cerca de 500 óbitos na nova emergência clínica do Hospital da Restauração, e se comprometendo em respeitar o Conselho Estadual de Saúde, hoje desmoralizado pelo atual governo. Tudo muitíssimo exeqüível.
Talvez os debates, nos formatos que hoje se apresentam, sejam insuficientes, mas são espaços minimamente democráticos em que os candidatos podem confrontar-se e não tratar os eleitores como idiotas, com suas peças publicitárias.
De minha parte, as eleições deveriam ter debates entre os candidatos todas as semanas, organizados pela justiça eleitoral e obrigatórios a todos os candidatos majoritários, para debater temas específicos: educação; saúde; meio ambiente; sistema carcerário; saneamento; infra-estrutura; questão agrária; cultura; segurança; drogas; etc. As propostas deveriam ficar armazenadas como compromisso público e cobradas devidamente dos que ganham e também dos que perdem, pois estes muitas vezes não se adaptam à situação de oposição e migram sem cerimônia para o colo dos que venceram as eleições.


Candidato ao governo do Estado pelo PSOL

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