sábado, 8 de dezembro de 2012

A unidade do pólo esquerdista no PSOL só é possível na ficção?

Por Edilson Silva*

Garrincha, em minoria, podia dissimular movimentos
para enganar e chegar ao objetivo. PSOL não é futebol.

Após o recente Diretório Nacional do PSOL, em que as resoluções aprovadas e já divulgadas falam pelas maiorias democraticamente constituídas no partido, os setores que não alcançaram seus intentos vem a público disputar versões que possam justificar seu insucesso e buscar animar sua tropa para manter a autofágica luta interna no PSOL. O autodenominado bloco de esquerda, que na verdade é um pólo esquerdista - no sentido politicamente pejorativo que Lênin emprestou ao termo - com o agravante de um forte viés oportunista no nosso caso, lança mão de inverdades e da má-fé para construir sua unidade, o que já é um segundo agravante.

A bem do debate franco, honesto, fazemos este esclarecimento aos nossos militantes, filiados e amigos do partido, pois não podemos permitir que flagrantes inverdades corram soltas sem os contrapontos que tragam o debate ao terreno da mínima honestidade intelectual. As inverdades do esquerdismo psolista precisam ser trazidas à luz, uma a uma, e vamos trata-las aqui, não com o objetivo de polemizar, mas tão somente de esclarecer, num momento em que o pântano político e a desinformação servem de instrumento na luta política interna.   

É verdade que o Diretório Nacional do PSOL começou com grande atraso, como afirma a nota do pólo esquerdista. Não foi a primeira vez e nem foi a última que isto aconteceu. Nosso partido, pela natureza da sua composição interna, com muitos agrupamentos, exige esforço de sínteses entre estes agrupamentos. Por inúmeras vezes já tivemos que fazer intervalos em reuniões em andamento do Diretório e até em congressos do PSOL, para fazer estes esforços. Portanto, não é novidade no partido esta metodologia, inclusive já tivemos diretórios em que a reunião foi suspensa por várias horas enquanto os dirigentes Roberto Robaina e Jorge Almeida - dirigentes deste pólo esquerdista hoje, reuniam-se a portas fechadas num quarto de hotel para fazer acordos de votação. Política se faz assim, com conversas, acordos, sínteses, emblocamentos a partir da aproximação de posições políticas, e isto não pode ser direito só de alguns, mas de todas as forças dentro do partido. Foi graças a este esforço que o esquerdismo perdeu grande força de seu discurso, pois não esperavam o gesto maiúsculo de dirigentes como Edmilson Rodrigues, de reconhecer desequilíbrios e erros cometidos na condução da sua campanha, e isto foi um importante processo de convencimento político, onde creio que todos aprendemos e ganhamos.

A nota do esquerdismo age com desonestidade e deslealdade ao afirmar que o dirigente Martiniano Cavalcante "recebeu" dinheiro de Carlinhos Cachoeira. Já foi comprovado, inclusive junto à própria CPMI, que na verdade aconteceu um empréstimo que foi pago, repito, comprovadamente, com juros de agiotagem. É até admissível que filiados de base, desinformados ou desonestos, façam acusações e condenações levianas, mas é lamentável e repugnante que integrantes da direção do partido comportem-se de forma tão menor.

Não é verdade que houve ampliação indevida do número de membros do Diretório de 61 para 62 membros e que esta vaga a mais deveria ser do MES, como afirma o pólo esquerdista. Foi votado por consenso no Diretório Nacional do PSOL, ainda em 2010, que o CARGO de presidente da Fundação Lauro Campos deveria compor a Executiva Nacional do PSOL, entrando este na lista de chamadas pela proporcionalidade qualificada. Assim, a Executiva passou a ser composta por 18 membros (antes eram 17), e o Diretório passou de 61 para 62 vagas. O que o pólo esquerdista reivindica agora é que, como eles "chamaram" o CARGO da presidência da Fundação Lauro Campos, deveriam ter mais uma VAGA no Diretório. Eles confundem - por oportunismo ou por ignorância, que todas as 62 vagas do Diretório devem ser preenchidas observando-se o critério da proporcionalidade direta, ou seja, quando preenchem o cargo da presidência já ocupam ao mesmo tempo uma vaga respectiva no Diretório, a vaga no diretório e o cargo na Executiva são um só. Esta informação está registrada em ata pública junto ao TSE desde fevereiro de 2012 e já houve inclusive um Diretório Nacional com esta configuração e nunca foi feita esta “observação”, ou seja, trata-se de factoide de quem quer arrumar explicações para tentar justificar sua falta de votos para ser maioria, buscando gerar um efeito psicológico em sua militância, um discurso oco de uma suposta vitimização. Ademais, este pólo esquerdista nas duas últimas reuniões nacionais sequer conseguiu mobilizar todos os seus membros para comparecer às reuniões. Faltaram membros tanto na Executiva Nacional quanto no Diretório, portanto, está nítido que a condição de minoria deste pólo – muito digna, é preciso dizer, se dá, em parte, não por supostas manobras das maiorias, mas, entre outros fatores, por sua absoluta falta de capacidade de se autoconvencer da importância da participação nos fóruns do partido, espaço real e presencial onde as decisões democráticas são tomadas.

Não é verdade que Marcelo Freixo tenha sido atacado por qualquer dirigente ou setor do partido na reunião do Diretório. Pelo contrário, foi reivindicado como protagonista de uma campanha vitoriosa no PSOL, uma referência. O que foi feito por vários dirigentes, com justeza, foi apresentar a campanha ampla, de massas e desprovida de dogmatismos que ali foi feita, recebendo recursos do empresário Guilherme Leal, dono da Natura e vice da Marina Silva em 2010, assim como recebendo apoio de lideranças do PSDB, assim como também ter declarado que alianças com o PT e PDT são possíveis no Rio de Janeiro e que o melhor candidato a presidente que o PSOL tem é Randolfe Rodrigues. Todos estes fatos omitidos de forma desmoralizante pelos esquerdistas, que querem fazer de Freixo um porrete para bater em outras lideranças do PSOL, como o Edmilson, Randolfe e Clécio. Quem critica Freixo e aspectos de sua campanha são setores do esquerdismo, mas o fazem em e-mails internos (que vazaram), afirmando que não o criticam publicamente, AINDA, porque a bola da vez das críticas é o senador Randolfe Rodrigues, ou seja, na fila da degola o Freixo tem um lugar cativo na guilhotina do pólo esquerdista. É questão de tempo, segundo eles mesmos.

Por fim, não é verdade que o pólo esquerdista colocou em votação resolução a partir dos entendimentos com as deliberações da plenária de Belém. A proposta de resolução em que este pólo votou foi aquela apresentada pela companheira Janira Rocha – criticada por eles em sua nota -, momento, aliás, em que este setor caiu de 26 para 25 votos, pois duas companheiras - tudo indica mais coerentes e mais em sintonia com o que ocorreu em Belém, abstiveram-se. (segue nota da Janira Rocha na íntegra logo abaixo).

Zerando as ficções - que talvez sejam o limite da racionalidade possível neste pólo, quem sabe possamos tentar entrar em debates de conteúdo para o nosso partido, pois há sim um debate de diferenças importantes e que é positivo que se faça. O PSOL deve manter seu leque de alianças aprovado para as eleições 2012? Quais os critérios claros para financiamento privado de nossas campanhas? Por onde passam as linhas de ação política principais para transformar a realidade brasileira na direção do socialismo? Temos um oceano para remar no sentido da elaboração teórico-programática, ante-sala inescapável para adentrarmos com mais protagonismo nestes temas. Infelizmente o pólo esquerdista entrou na reunião do DN com a pauta exclusiva de expulsar Randolfe e Clécio e também antecipar o IV Congresso do PSOL. Foram flagrantemente derrotados. Coube a uma maioria sóbria aprovar um balanço realista e positivo e aprovar também um plano de ação para o partido, que foi aprovado por consenso. Ao debate, mas com honestidade.

Membro da Executiva Nacional do PSOL / Secretário Geral do PSOL

Texto de Janira Rocha apresentado na reunião do DN sobre Belém

"Quanto à presença de Lula e do primeiro escalão do PT nas gravações do 2º turno das eleições em Belém, entendemos que apesar das dificuldades políticas presentes, tratou-se de um erro.

A despeito da resolução sobre alianças votada por nossas instâncias nacionais permitirem esta relação com o PT, o que concordamos, essas alianças seriam feitas com setores progressistas do PT, em contradição com seu núcleo duro e com o chefe do mensalão, Sr. Lula.

A presença deste primeiro escalão e de Lula, mais do que um símbolo negativo, fere os próprios princípios fundacionais do PSOL. É na prática a negação das contradições políticas e morais que levaram Heloisa Helena e outros de nossos “radicais”, juntos com uma ampla base partidária a romperem com o PT e fundar o PSOL.

A presença de Lula e seu primeiro escalão no 2º turno em Belém, além de tudo, colocou-se em contradição com a ação de vários outros militantes do PSOL que, ou como candidatos, como parlamentares, ou como lutadores dos movimentos sociais fazem um enfrentamento direto às políticas governistas e nefastas do PT.

Não pode ser que a presença de Lula, enfrentando e derrotando Heloisa Helena em Alagoas, junto ao PDT em Macapá, e junto à burguesia em outros estados nos enfrentando, não nos contradite com sua presença no nosso espaço de TV.

Nossa estratégia passa pela derrota do PT de Lula, do PT do mensalão, do PT que fez a reforma da previdência que atacou direitos do povo brasileiro."
 


 

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