segunda-feira, 21 de março de 2011

Governador Eduardo Campos mente sobre usinas nucleares

Por Edilson Silva

O que poderia transformar um terremoto de magnitude 9 graus na escala Richter, seguido de um tsunami com ondas de 10 metros engoliram cidades inteiras, numa tragédia menor? Resposta: uma tragédia nuclear, como a que está acontecendo hoje no Japão. Esta situação colocou não só aquele país, mas o mundo em alerta nuclear.

Em Pernambuco não poderia ser diferente. Na medida em que o estado foi escolhido para abrigar um complexo de usinas nucleares, a sociedade pernambucana, pelo menos em seus setores mais bem informados, vem questionando este empreendimento. Nós do PSOL, particularmente, temos tratado deste tema bem antes do pesadelo nuclear no Japão.

O governador Eduardo Campos, quando confrontado em debate durante as eleições 2010 sobre estas usinas em Pernambuco, se fez literalmente de desentendido. Agora, em meio a esta conjuntura adversa aos políticos nucleares, vai à imprensa dizer que este debate sobre instalação de usinas nucleares em Pernambuco não está colocado ainda, segundo publicou o Jornal do Commércio do dia 18/03: “Há estudos, mas não se definiu isso ainda. Não há verba prevista no PPA (Plano Plurianual), nem decisão política da presidente Dilma (Rousseff). Há um caminho longo, de estudo, de discussão, de transparência junto à sociedade, antes de se tomar uma decisão como essa”, disse o governador.

Peço licença e desculpas ao caro leitor pela forma direta de dizer isto, mas a situação exige: o governador está mentindo. Repito: mentindo, descaradamente e utilizando-se de recursos retóricos pouco sérios para continuar enganando a população sobre este tema.

O governador mente, na medida em que vem trabalhando fortemente para trazer estas usinas para Pernambuco. Prova disso é que no dia 29 de abril de 2010, em reunião do CONDEL - Conselho Deliberativo da SUDENE, o governador, em pessoa, reclamava da não expansão do programa nuclear brasileiro: “O PDE (Plano Decenal de Energia) que está para sair não tem nada de empreendimento nuclear, além de Angra III (...)”, questionava Eduardo Campos (Jornal do Commercio, Caderno de Economia, de 30/04/2010).

Na mesma matéria do JC, cuja manchete era “Pernambuco vai entrar na disputa por usina nuclear”, o secretário estadual de recursos hídricos à época, João Bosco, também afirmava: “A entrada do empreendimento (usina nuclear no nordeste) no PDE é fundamental para que ele saia do papel”.

Ou seja, o projeto das usinas nucleares em Pernambuco é fruto de um esforço político saído da cabeça do governador Eduardo Campos, que sabia que o primeiro passo para torná-lo realidade era colocá-lo no PDE. Já conseguiram este intento. Após isto, estudos e projetos já foram realizados e inclusive os locais de instalação já foram definidos: a primeira opção é Itacuruba, no Sertão do São Francisco. Então, as usinas já estão em andamento, já são um projeto em execução. O que a sociedade precisa é decidir se este projeto vai adiante ou não, decisão que, insistimos, não pode ser tomada apenas pelo governador e meia dúzia de políticos e empresários com interesses de nobreza no mínimo duvidosa.

Por tudo isto, é inadmissível que o governador venha agora com esta conversa de que não há nada de concreto sobre estas usinas. Ou o governado quer que a presidente Dilma aprove a construção, que o orçamento seja liberado, e que as obras de terraplanagem comecem para que a sociedade comece a discutir o assunto?! Malandragem retórica tem limite.

No caso de empreendimentos nucleares, a transparência é parte inseparável das medidas mínimas de segurança necessárias. O governador, ao mentir desta forma para a população, robustece os argumentos de que não temos condições de ter estas usinas por aqui. Se um governante mente diante de fatos de domínio público, o que não fará com dados e fatos de difícil acesso à população?

Portanto, o governador deveria respeitar minimamente a inteligência dos que fazem política em nosso Estado. Se isso não for possível, respeitar a população pelo menos, com um mínimo de franqueza. As usinas nucleares não são uma obra qualquer. Elas serão, mesmo que tudo dê “certo”, ao final dos poucos 50 anos de vida útil que possuem, um grande monumento para a eternidade, até que saibamos o que fazer com seu lixo radiativo.

Presidente do PSOL, oposição ao governo do Estado
Twitter: www.twitter.com/EdilsonPSOL
Blog: http://www.edilsonpsol.blogspot.com/

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