Por Edilson Silva
No último dia 15 de outubro a Executiva Nacional do PSOL reuniu-se em São Paulo para debater e definir o posicionamento do partido no 2° turno das eleições presidenciais. Após um longo debate, que foi precedido de plenárias e audiências com filiados e colaboradores nos estados, o PSOL declarou “nenhum voto a José Serra” e entendeu como legítimas as opções de voto crítico em Dilma Rousseff e os votos nulo e branco.
Óbvio que as declarações da direção do PSOL têm o objetivo de subsidiar todos aqueles que têm referência política em nosso partido. Os eleitores do PSOL, redundante dizer, são sujeitos esclarecidos e livres para definir o seu voto. É assim na democracia, a liberdade é insubstituível.
Mas afinal, o que levou o PSOL a tomar esta decisão? Não se trata, como se pode perceber na nota pública do PSOL, apenas de diferenças mínimas no plano programático entre Dilma e Serra, ou entre PT e PSDB, que seriam talvez insuficientes para justificar tamanha distinção.
O que mais chamou a atenção do PSOL é a movimentação que acontece majoritariamente no subterrâneo deste processo eleitoral e, particularmente, neste 2° turno. Há, inegavelmente, o cozimento de um caldo de cultura de intolerância, de maniqueísmo e de discriminação no seio da sociedade.
Muito infelizmente, a candidatura de José Serra é o núcleo central onde orbitam os atores que patrocinam este perigoso retrocesso. Digo infelizmente por que José Serra não é um sujeito cuja história confunda-se com posicionamentos atrasados culturalmente. Digamos que ele pode até ser chamado de um liberal com certo grau progressista na sua trajetória.
Mas Serra se dispôs a liderar, ou tolerar, uma cruzada medieval, que aglutina forças ultra-conservadoras, com o objetivo único de vencer essa eleição. A face mais visível desta cruzada são setores religiosos fundamentalistas que não aceitam o caminho do Estado laico e de sociedade plural que o Brasil persegue. O vice de Serra, Índio da Costa, do DEM, dá a moldura político-ideológica para o que seria um comando nacional de caça aos esquerdistas, socialistas e comunistas, perseguição aos movimentos sociais e criminalização das oposições (chamadas por ele de terroristas).
Isso tudo já existia no 1° turno, como algo ainda marginal no debate político, mas ganhou muita força no 2° turno. Serra, de forma oportunista e irresponsável – repito, contradizendo sua trajetória -, resolveu surfar neste tsunami, trocando sua palavra de ordem do 1° turno de “O Brasil pode mais” para “Serra é do bem”. Se Serra é do bem, subentende-se que seus opositores seriam do mal. Qualquer conclusão que aponte para uma peleja entre Deus e o diabo não é mera coincidência.
A vitória de Serra, portanto, pode ser entendida por amplos setores como uma vitória do “bem” (sabe-se lá o que isto pode representar) contra o “mal” (tudo o que é diferente deste “bem”), e esta sensação de vitória pode abrir as comportas para sentimentos e práticas até então devidamente represadas numa consciência social majoritariamente contrária às práticas intolerantes.
É um debate obscurantista lamentável, mas que não podemos fugir dele. A sociedade brasileira, em seus incontáveis movimentos e entidades sérias, luta cotidianamente contra a intolerância às diferenças culturais que temos. É assim, por exemplo, nas entidades do movimento negro, que lutam contra a intolerância religiosa aos cultos de matriz africana. Uma luta que não raro vai parar em delegacias de polícia e em tribunais.
A candidatura de Serra está dando corpo a uma cultura que após ganhar as ruas com gosto de vitória pode tornar-se incontrolável, indomável. O PSOL tem compromisso não só com governos e com um Estado democrático, libertário e republicano, tem também compromisso com a construção de uma sociedade tolerante, plural e de espírito socialista, por isso Serra, neste 2° turno, que se configura como um plebiscito, recebe nosso mais contundente veto.
*Presidente do PSOL-PE, membro da Executiva Nacional do PSOL, ex-candidato ao governo de Pernambuco nas eleições 2010.
Política em forma bruta e elaborada, debate, mobilização, indignação, resistência, alternativas, inquietude...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Edilson Silva: "Não subiremos no palanque de ninguém"
Matéria com Edilson Silva no Blog da Folha de Pernambuco
Acabou agora há pouco a reunião da Executiva Nacional do PSOL, Quinze dos dezessete membros participaram do encontro em São Paulo, e estão redigindo uma nota com a posição oficial do partido. O documento foi votado por treze psolistas, e é intitulado "Nenhum voto em José Serra (PSDB)". Segundo o presidente do PSOL em Pernambuco, Edilson Silva, o grupo também fez críticas à adversária do candidato tucano na disputa presidencial, Dilma Rousseff (PT). "Decidimos liberar a militância, o que é até uma redundância, porque isso faz parte do pensamento do PSOL. Achamos legítimas as expressões do voto crítico para Dilma, assim como dos votos nulo e branco. Mas partimos do princípio de que nós não vamos subir no palanque de ninguém", afirmou Edilson.
Segundo o dirigente, que disputou a última eleição para o Governo de Pernambuco, o partido considera a candidatura de Serra como um "brutal retrocesso para a sociedade brasileira". "Por isso, fazemos a demarcação de orientar essa exposição pública de que a posição da Executiva é de que os Estados ficam livres para optar. Vamos fazer uma plenária na próxima segunda-feira (18), no Clube de Engenharia, no Recife, onde vamos avaliar a resolução e debater o que podemos desenvolver em Pernambuco", disse Edilson. Questionado sobre seu posicionamento, o psolista garantiu que só falará na segunda-feira. "Prefiro me posicionar depois de me reunir com o diretório regional. Temos um respeito muito grande pelas instâncias do partido. Deixarei minha opinião para ser exposta depois da plenária", concluiu.
Acabou agora há pouco a reunião da Executiva Nacional do PSOL, Quinze dos dezessete membros participaram do encontro em São Paulo, e estão redigindo uma nota com a posição oficial do partido. O documento foi votado por treze psolistas, e é intitulado "Nenhum voto em José Serra (PSDB)". Segundo o presidente do PSOL em Pernambuco, Edilson Silva, o grupo também fez críticas à adversária do candidato tucano na disputa presidencial, Dilma Rousseff (PT). "Decidimos liberar a militância, o que é até uma redundância, porque isso faz parte do pensamento do PSOL. Achamos legítimas as expressões do voto crítico para Dilma, assim como dos votos nulo e branco. Mas partimos do princípio de que nós não vamos subir no palanque de ninguém", afirmou Edilson.
Segundo o dirigente, que disputou a última eleição para o Governo de Pernambuco, o partido considera a candidatura de Serra como um "brutal retrocesso para a sociedade brasileira". "Por isso, fazemos a demarcação de orientar essa exposição pública de que a posição da Executiva é de que os Estados ficam livres para optar. Vamos fazer uma plenária na próxima segunda-feira (18), no Clube de Engenharia, no Recife, onde vamos avaliar a resolução e debater o que podemos desenvolver em Pernambuco", disse Edilson. Questionado sobre seu posicionamento, o psolista garantiu que só falará na segunda-feira. "Prefiro me posicionar depois de me reunir com o diretório regional. Temos um respeito muito grande pelas instâncias do partido. Deixarei minha opinião para ser exposta depois da plenária", concluiu.
NENHUM VOTO À SERRA
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) mereceu a confiança de mais de um milhão de brasileiros que votaram nas eleições de 2010. Nossa aguerrida militância foi decisiva ao defender nossas propostas para o país e sobre ela assentou-se um vitorioso resultado.
Nos sentimos honrados por termos tido Plínio de Arruda Sampaio e Hamilton Assis como candidatos à presidência da República e a vice, que de forma digna foram porta vozes de nosso projeto de transformações sociais para o Brasil. Comemoramos a eleição de três deputados federais (Ivan Valente/SP, Chico Alencar/RJ e Jean Wyllys/RJ), quatro deputados estaduais (Marcelo Freixo/RJ, Janira Rocha/RJ, Carlos Giannazi/SP e Edmilson Rodrigues/PA) e dois senadores (Randolfe Rodrigues/AP e Marinor Brito/PA). Lamentamos a não eleição de Heloísa Helena para o senado em Alagoas e a não reeleição de nossa deputada federal Luciana Genro no Rio Grande do Sul, bem como, do companheiro Raul Marcelo, atual deputado estadual do PSOL.
Em 2010 quis o povo novamente um segundo turno entre PSDB e PT. Nossa posição de independência não apoiando nenhuma das duas candidaturas está fundamentada no fato de que não há por parte destas nenhum compromisso com pontos programáticos defendidos pelo PSOL. Sendo assim, independente de quem seja o próximo governo, seremos oposição de esquerda e programática, defendendo a seguinte agenda: auditoria da dívida pública, mudança da política econômica, prioridade para saúde e educação, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, defesa do meio ambiente, defesa dos direitos humanos segundo os pressupostos PNDH3, reforma agrária e urbana ecológica e por ampla reforma política – fim do financiamento privado e em favor do financiamento público exclusivo, como forma de combater a corrupção na política.
No entanto, O PSOL se preocupa com a crescente pauta conservadora introduzida pela aliança PSDB-DEM, querendo reduzir o debate a temas religiosos e falsos moralismos, bloqueando assim os grandes temas de interesse do país. Por outro lado, esta pauta leva a candidatura de Dilma a assumir posição ainda mais conservadora, abrindo mão de pontos progressivos de seu programa de governo e reagindo dentro do campo de idéias conservadoras e não contra ele. Para o PSOL a única forma de combatermos o retrocesso é nos mantermos firmes na defesa de bandeiras que elevem a consciência de nosso povo e o nível do debate político na sociedade brasileira.
As eleições de 2002 ao conferir vitória à Lula trazia nas urnas um recado do povo em favor de mudanças profundas. Hoje é sabido que Lula não o honrou, não cumpriu suas promessas de campanha e governou para os banqueiros, em aliança com oligarquias reacionárias como Sarney, Collor e Renan Calheiros. Mas aquele sentimento popular por mudanças de 2002 era também o de rejeição às políticas neoliberais com suas conseqüentes privatizações, criminalização dos movimentos sociais – que continuou no governo Lula -, revogação de direitos trabalhistas e sociais.
Por isso, o PSOL reafirma seu compromisso com as reivindicações dos movimentos sociais e as necessidades do povo brasileiro. Somos um partido independente e faremos oposição programática a quem quer que vença. Neste segundo turno, mantemos firme a oposição frontal à candidatura Serra, declarando unitariamente “NENHUM VOTO EM SERRA”, por considerarmos que ele representa o retrocesso a uma ofensiva neoliberal, de direita e conservadora no País. Ao mesmo tempo, não aderimos à campanha Dilma, que se recusou sistematicamente ao longo do primeiro turno a assumir os compromissos com as bandeiras defendidas pela candidatura do PSOL e manteve compromissos com os banqueiros e as políticas neoliberais. Diante do voto e na atual conjuntura, duas posições são reconhecidas pela Executiva Nacional de nosso partido como opções legítimas existentes em nossa militância: voto crítico em Dilma voto nulo/branco. O mais importante, portanto, é nos prepararmos para as lutas que virão no próximo período para defender os direitos dos trabalhadores e do povo oprimido do nosso País.
Executiva Nacional do PSOL – 15 de outubro de 2010.
Nos sentimos honrados por termos tido Plínio de Arruda Sampaio e Hamilton Assis como candidatos à presidência da República e a vice, que de forma digna foram porta vozes de nosso projeto de transformações sociais para o Brasil. Comemoramos a eleição de três deputados federais (Ivan Valente/SP, Chico Alencar/RJ e Jean Wyllys/RJ), quatro deputados estaduais (Marcelo Freixo/RJ, Janira Rocha/RJ, Carlos Giannazi/SP e Edmilson Rodrigues/PA) e dois senadores (Randolfe Rodrigues/AP e Marinor Brito/PA). Lamentamos a não eleição de Heloísa Helena para o senado em Alagoas e a não reeleição de nossa deputada federal Luciana Genro no Rio Grande do Sul, bem como, do companheiro Raul Marcelo, atual deputado estadual do PSOL.
Em 2010 quis o povo novamente um segundo turno entre PSDB e PT. Nossa posição de independência não apoiando nenhuma das duas candidaturas está fundamentada no fato de que não há por parte destas nenhum compromisso com pontos programáticos defendidos pelo PSOL. Sendo assim, independente de quem seja o próximo governo, seremos oposição de esquerda e programática, defendendo a seguinte agenda: auditoria da dívida pública, mudança da política econômica, prioridade para saúde e educação, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, defesa do meio ambiente, defesa dos direitos humanos segundo os pressupostos PNDH3, reforma agrária e urbana ecológica e por ampla reforma política – fim do financiamento privado e em favor do financiamento público exclusivo, como forma de combater a corrupção na política.
No entanto, O PSOL se preocupa com a crescente pauta conservadora introduzida pela aliança PSDB-DEM, querendo reduzir o debate a temas religiosos e falsos moralismos, bloqueando assim os grandes temas de interesse do país. Por outro lado, esta pauta leva a candidatura de Dilma a assumir posição ainda mais conservadora, abrindo mão de pontos progressivos de seu programa de governo e reagindo dentro do campo de idéias conservadoras e não contra ele. Para o PSOL a única forma de combatermos o retrocesso é nos mantermos firmes na defesa de bandeiras que elevem a consciência de nosso povo e o nível do debate político na sociedade brasileira.
As eleições de 2002 ao conferir vitória à Lula trazia nas urnas um recado do povo em favor de mudanças profundas. Hoje é sabido que Lula não o honrou, não cumpriu suas promessas de campanha e governou para os banqueiros, em aliança com oligarquias reacionárias como Sarney, Collor e Renan Calheiros. Mas aquele sentimento popular por mudanças de 2002 era também o de rejeição às políticas neoliberais com suas conseqüentes privatizações, criminalização dos movimentos sociais – que continuou no governo Lula -, revogação de direitos trabalhistas e sociais.
Por isso, o PSOL reafirma seu compromisso com as reivindicações dos movimentos sociais e as necessidades do povo brasileiro. Somos um partido independente e faremos oposição programática a quem quer que vença. Neste segundo turno, mantemos firme a oposição frontal à candidatura Serra, declarando unitariamente “NENHUM VOTO EM SERRA”, por considerarmos que ele representa o retrocesso a uma ofensiva neoliberal, de direita e conservadora no País. Ao mesmo tempo, não aderimos à campanha Dilma, que se recusou sistematicamente ao longo do primeiro turno a assumir os compromissos com as bandeiras defendidas pela candidatura do PSOL e manteve compromissos com os banqueiros e as políticas neoliberais. Diante do voto e na atual conjuntura, duas posições são reconhecidas pela Executiva Nacional de nosso partido como opções legítimas existentes em nossa militância: voto crítico em Dilma voto nulo/branco. O mais importante, portanto, é nos prepararmos para as lutas que virão no próximo período para defender os direitos dos trabalhadores e do povo oprimido do nosso País.
Executiva Nacional do PSOL – 15 de outubro de 2010.
Muito obrigado!!!
Muito obrigado pernambucanos e pernambucanas pelos mais de 37 mil votos de confiança depositados em nosso projeto e pelas incontáveis e calorosas manifestações de carinho. Eles são parte de nossa trincheira em busca de um novo fazer político. A luta, como sempre, continua! Abraço forte em todos e todas!
Edilson Silva.
Edilson Silva.
sábado, 2 de outubro de 2010
Resgatando o voto de opinião e de esquerda
Por Edilson Silva /publicado no blog para o Acerto de Contas
Apesar da história ter desmentido Francis Fukuyama – o homem que decretou o fim dela, a história -, há um insistente discurso de “especialistas” de que não há espaços para o desenvolvimento de alternativas por fora das doutrinas econômicas e políticas hegemônicas. No Brasil, a era Lula reforçou de forma particular este discurso. Não precisamos dizer o porquê.
Fundamos o PSOL em 2004 e o legalizamos em 2005 para fazer um contra-ponto a esta tese, sem querer, de forma alguma, sermos o farol a guiar a reorganização de um campo popular de esquerda no Brasil. Esta tarefa está claramente para além das forças singulares do PSOL.
Apreender as contradições estruturais do dinamismo econômico e político-ideológico deste início de século 21, sob uma ótica revolucionária, e transformar esta teoria em prática e organização política igualmente revolucionária, deverá envolver profundo esforço intelectual e ainda mais esforços subjetivos na organização popular de uma classe que hoje se encontra multifacetada, em crise de identidade, num mundo do trabalho em constante metamorfose.
Intelectuais como François Chesnays, Immanuel Wallerstein, Istvan Meszaros e Ricardo Antunes, para citar apenas alguns, têm dado singular contribuição nesta empreitada de restabelecer um horizonte paradigmático, sempre dinâmico é bom dizer, que se apresente como uma referência mínima comum o mais segura possível no plano teórico para a reorganização política daqueles que estão em contradição com o capitalismo.
No plano da reorganização sindical e popular no Brasil, há muitos esforços sendo feitos, e o PSOL participa deles, como a tentativa de se construir uma nova central sindical que seja realmente independente do Estado e de seus governos. Contudo, estas tentativas, no Brasil, se ressentem da falta de uma resolução amplamente majoritária no plano analítico. Quem é a classe trabalhadora hoje? Onde ela está? Que pautas podem unificar o camelô e o petroleiro, por exemplo? É possível isto? Os movimentos por reivindicações humanísticas e ambientalistas estão inseridos numa perspectiva de classe? Responder a estas questões com mantras e dogmas é o caminho da caricatura política, da preguiça intelectual, caminho que o PSOL rejeita.
Mas existe outra frente em que se desenvolvem batalhas políticas e ideológicas, e nesta frente o PSOL também atua e começa a colher resultados. Trata-se do terreno eleitoral. Neste plano, na maioria dos estados brasileiros partimos praticamente do zero, como foi o caso de Pernambuco, com nossa primeira eleição em 2006. Estabelecemos, desde o princípio, que iríamos perseguir o resgate de um voto de opinião, crítico, de esquerda, porém voltado também para a massa da população.
As eleições de 2010 ainda não foram encerradas, mas a participação do PSOL em Pernambuco já alcançou uma importante vitória: colocamos na pauta o tema da esquerda, do socialismo, da ética numa perspectiva política e não meramente moral. Fizemos isto apresentando propostas viáveis sob a ótica dos socialistas para praticamente todas as áreas da gestão pública. Fizemos com coragem, firmeza, denunciando as inverdades dos postulantes dos grandes grupos que se revezam no poder. Fizemos uma campanha republicana, utilizando de todos os mecanismos constitucionais previstos para construir propostas que viabilizassem a socialização do poder e da riqueza em nosso Estado.
O resultado é que nossa candidatura em Pernambuco já se tornou um importante pólo de atração de forças vivas bastante relevantes. Conquistamos, antes dos votos, respeito ao nosso projeto/candidatura. As manifestações de apoio de entidades, personalidades, da população nas ruas, dão mostras de que estamos conseguindo resgatar o voto crítico, de opinião, de esquerda. Este é um processo lento, que está apenas começando, e ainda vai dar muitos frutos. Estamos no caminho certo.
Edilson Silva é Presidente do PSOL/PE e candidato ao governo de Pernambuco
Apesar da história ter desmentido Francis Fukuyama – o homem que decretou o fim dela, a história -, há um insistente discurso de “especialistas” de que não há espaços para o desenvolvimento de alternativas por fora das doutrinas econômicas e políticas hegemônicas. No Brasil, a era Lula reforçou de forma particular este discurso. Não precisamos dizer o porquê.
Fundamos o PSOL em 2004 e o legalizamos em 2005 para fazer um contra-ponto a esta tese, sem querer, de forma alguma, sermos o farol a guiar a reorganização de um campo popular de esquerda no Brasil. Esta tarefa está claramente para além das forças singulares do PSOL.
Apreender as contradições estruturais do dinamismo econômico e político-ideológico deste início de século 21, sob uma ótica revolucionária, e transformar esta teoria em prática e organização política igualmente revolucionária, deverá envolver profundo esforço intelectual e ainda mais esforços subjetivos na organização popular de uma classe que hoje se encontra multifacetada, em crise de identidade, num mundo do trabalho em constante metamorfose.
Intelectuais como François Chesnays, Immanuel Wallerstein, Istvan Meszaros e Ricardo Antunes, para citar apenas alguns, têm dado singular contribuição nesta empreitada de restabelecer um horizonte paradigmático, sempre dinâmico é bom dizer, que se apresente como uma referência mínima comum o mais segura possível no plano teórico para a reorganização política daqueles que estão em contradição com o capitalismo.
No plano da reorganização sindical e popular no Brasil, há muitos esforços sendo feitos, e o PSOL participa deles, como a tentativa de se construir uma nova central sindical que seja realmente independente do Estado e de seus governos. Contudo, estas tentativas, no Brasil, se ressentem da falta de uma resolução amplamente majoritária no plano analítico. Quem é a classe trabalhadora hoje? Onde ela está? Que pautas podem unificar o camelô e o petroleiro, por exemplo? É possível isto? Os movimentos por reivindicações humanísticas e ambientalistas estão inseridos numa perspectiva de classe? Responder a estas questões com mantras e dogmas é o caminho da caricatura política, da preguiça intelectual, caminho que o PSOL rejeita.
Mas existe outra frente em que se desenvolvem batalhas políticas e ideológicas, e nesta frente o PSOL também atua e começa a colher resultados. Trata-se do terreno eleitoral. Neste plano, na maioria dos estados brasileiros partimos praticamente do zero, como foi o caso de Pernambuco, com nossa primeira eleição em 2006. Estabelecemos, desde o princípio, que iríamos perseguir o resgate de um voto de opinião, crítico, de esquerda, porém voltado também para a massa da população.
As eleições de 2010 ainda não foram encerradas, mas a participação do PSOL em Pernambuco já alcançou uma importante vitória: colocamos na pauta o tema da esquerda, do socialismo, da ética numa perspectiva política e não meramente moral. Fizemos isto apresentando propostas viáveis sob a ótica dos socialistas para praticamente todas as áreas da gestão pública. Fizemos com coragem, firmeza, denunciando as inverdades dos postulantes dos grandes grupos que se revezam no poder. Fizemos uma campanha republicana, utilizando de todos os mecanismos constitucionais previstos para construir propostas que viabilizassem a socialização do poder e da riqueza em nosso Estado.
O resultado é que nossa candidatura em Pernambuco já se tornou um importante pólo de atração de forças vivas bastante relevantes. Conquistamos, antes dos votos, respeito ao nosso projeto/candidatura. As manifestações de apoio de entidades, personalidades, da população nas ruas, dão mostras de que estamos conseguindo resgatar o voto crítico, de opinião, de esquerda. Este é um processo lento, que está apenas começando, e ainda vai dar muitos frutos. Estamos no caminho certo.
Edilson Silva é Presidente do PSOL/PE e candidato ao governo de Pernambuco
Debate nas linhas e entrelinhas
Por Edilson Silva
Escrevo estas linhas embalado na perspicácia do jornalista Ivan Moraes Filho, que postou em seu blog, Bodega, um texto muito interessante após o debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco na TV Globo: “Notas sobre um debate eleitoral”. Ivan captura e externa, com o bom humor que lhe é peculiar, a malandragem dos candidatos nos embates diretos.
Dentre as malandragens, a arte da fuga é desnudada num parágrafo: “Se alguém ouve uma pergunta que não quer responder, não faz a menor diferença. A resposta não precisa necessariamente (ter) relação com o questionamento. Em muitos momentos, qualquer debate pode tornar-se uma entrevista no carnaval de Olinda, quando o repórter pergunta: ‘Tá gostando da festa?’ e o folião tapa os ouvidos e enche a boca para gritar: ‘Minas Geraaaais!!’”. Impagável.
Perguntas sem respostas no debate da TV Globo: qual a diferença significativa entre uma média de 4.400 homicídios por ano no governo Jarbas (segundo mandato) e 4.380 homicídios por ano (2007, 2008, 2009) no governo Eduardo Campos? Qual a opinião do candidato sobre o protocolo ATLS (Advanced Trauma Live Support), utilizado pelo Hospital da Restauração há 20 anos, que indica que ali a prioridade é para quem tem mais chance de vida e não para quem tem mais possibilidades de ir a óbito? O que é pior, colocar a estrutura da Polícia Civil a serviço de uma companhia privada, Celpe, para cortar a energia elétrica da população, colocando praticamente na esfera criminal uma demanda que no máximo seria da esfera civil, ou tratar a água para populações de baixa renda como mercadoria, colocando os inadimplentes da Compesa no SPC?
Os foliões, digo, candidatos, que governam ou já governaram, simplesmente tapam os ouvidos, olham no fundo das câmeras e, sem cerimônia, dizem o que bem querem. Cabe aos eleitores, neste caso os que têm capacidade para tanto, identificar as contradições e ir percebendo o que existe de verdade e inverdade, o que é exeqüível e inexeqüível, o que é necessário e o que é pirotecnia.
Entre os candidatos às vezes é possível e necessário encurralar de fato um ou outro candidato, de modo que mesmo o eleitor menos esclarecido, mesmo sendo um analfabeto funcional, tire importantes conclusões. Mas esta empreitada envolve ir ao limite da desmoralização de uma das partes, envolve desafiar publicamente, exigir a verdade com fatos, levar as contradições às últimas conseqüências, e o debate não pode descambar para ser somente isto, como se cada debate devesse ser um tudo ou nada. O eleitor, sobretudo o esclarecido e com honestidade intelectual, precisa fazer sua parte, que é tirar suas conclusões, lendo as linhas e as entrelinhas dos debates.
Candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL
Escrevo estas linhas embalado na perspicácia do jornalista Ivan Moraes Filho, que postou em seu blog, Bodega, um texto muito interessante após o debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco na TV Globo: “Notas sobre um debate eleitoral”. Ivan captura e externa, com o bom humor que lhe é peculiar, a malandragem dos candidatos nos embates diretos.
Dentre as malandragens, a arte da fuga é desnudada num parágrafo: “Se alguém ouve uma pergunta que não quer responder, não faz a menor diferença. A resposta não precisa necessariamente (ter) relação com o questionamento. Em muitos momentos, qualquer debate pode tornar-se uma entrevista no carnaval de Olinda, quando o repórter pergunta: ‘Tá gostando da festa?’ e o folião tapa os ouvidos e enche a boca para gritar: ‘Minas Geraaaais!!’”. Impagável.
Perguntas sem respostas no debate da TV Globo: qual a diferença significativa entre uma média de 4.400 homicídios por ano no governo Jarbas (segundo mandato) e 4.380 homicídios por ano (2007, 2008, 2009) no governo Eduardo Campos? Qual a opinião do candidato sobre o protocolo ATLS (Advanced Trauma Live Support), utilizado pelo Hospital da Restauração há 20 anos, que indica que ali a prioridade é para quem tem mais chance de vida e não para quem tem mais possibilidades de ir a óbito? O que é pior, colocar a estrutura da Polícia Civil a serviço de uma companhia privada, Celpe, para cortar a energia elétrica da população, colocando praticamente na esfera criminal uma demanda que no máximo seria da esfera civil, ou tratar a água para populações de baixa renda como mercadoria, colocando os inadimplentes da Compesa no SPC?
Os foliões, digo, candidatos, que governam ou já governaram, simplesmente tapam os ouvidos, olham no fundo das câmeras e, sem cerimônia, dizem o que bem querem. Cabe aos eleitores, neste caso os que têm capacidade para tanto, identificar as contradições e ir percebendo o que existe de verdade e inverdade, o que é exeqüível e inexeqüível, o que é necessário e o que é pirotecnia.
Entre os candidatos às vezes é possível e necessário encurralar de fato um ou outro candidato, de modo que mesmo o eleitor menos esclarecido, mesmo sendo um analfabeto funcional, tire importantes conclusões. Mas esta empreitada envolve ir ao limite da desmoralização de uma das partes, envolve desafiar publicamente, exigir a verdade com fatos, levar as contradições às últimas conseqüências, e o debate não pode descambar para ser somente isto, como se cada debate devesse ser um tudo ou nada. O eleitor, sobretudo o esclarecido e com honestidade intelectual, precisa fazer sua parte, que é tirar suas conclusões, lendo as linhas e as entrelinhas dos debates.
Candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O dia que Eduardo Campos fugiu do HR
Edilson com dirigentes do PSOL, na porta do necrotério do Hospital da Restauração, aguardando o governador para abrir o livro de óbitos do hospital. Edilson denunciou que em quatro anos de governo 12 mil mortes terão ocorrido por falta de leitos de UTI no Estado.
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