Por Edilson Silva
Tomo emprestado este título, “debate pra quê”, de um jornalista que goza inegavelmente de minha simpatia, e que fez um balanço do recente debate entre candidatos ao governo na TV Clube. O jornalista não viu pra quê o debate. Tomo a liberdade de expor um ponto de vista distinto.
Vivemos numa sociedade que se pretende democrática e que, portanto, pressupõe liberdade política e mínimas condições reais de poder expor esta liberdade. O regime político e suas normas jurídicas no Brasil exigem que a participação em processos eleitorais para os legislativos e executivos seja garantida a todos os cidadãos e cidadãs organizados em partidos, dentro de suas regras, devidamente legalizados junto à Justiça Eleitoral.
Em Pernambuco, entre os mais de 6 milhões de eleitores, as organizações partidárias legais existentes estão se expressando, por enquanto, em 6 candidaturas ao governo do Estado. Ou seja, um candidato para cada um milhão de eleitores. Diante de tamanha diversidade ideológica, religiosa, cultural e regional, dentre outras em nosso Estado, o número de candidatos é até pequeno para uma eleição que se resolve em dois turnos.
Caberá ao eleitor, na hora do voto, dar maioria a quem lhe pareça mais adequado a governar. Caberá também ao eleitor constituir minorias relevantes e irrelevantes no processo de disputa política que acontece não só no âmbito dos governos, mas das oposições. Sim, democracia não é feita apenas por maiorias, mas por minorias.
O que não pode acontecer é os eleitores terem subtraído o seu DIREITO de conhecer as candidaturas. Se há candidaturas abaixo da crítica, a exposição pública das mesmas servirá também para que o eleitor possa constatar por si mesmo, e não através de rankings construídos por meios de comunicação que não conseguem disfarçar seus interesses empresariais.
Então, os debates, por mais que não se transformem numa luta de Box emocionante – com apenas dois oponentes -, como podem querer alguns, são importantes para que a sociedade, dentro dos limites que os formatos impõem, vá formando sua opinião, que necessariamente não precisa ser formada apenas em base a estes debates.
Especificamente com relação ao debate da TV Clube, há fatos que mostram que os debates são sim importantes. O debate não foi só as rusgas entre Eduardo e Jarbas – que, aliás, discordo que sejam rusgas, mas acho que foram exposição de diferenças que são relevantes para a formação de opinião dos eleitores -, mas foi uma oportunidade de os eleitores saberem que Eduardo Campos paga o pior salário da educação do Brasil e que há candidatos que se comprometeram em seus programas de governo a pagar o piso nacional do magistério, proposta pra lá de exeqüível.
Quem assistiu ao debate pode ver que o governo do Estado está tentando trazer para Pernambuco uma usina nuclear, coisa que a mídia não dá atenção, e que uma das candidaturas propõe uma discussão geral na sociedade sobre o assunto e um plebiscito para dizer sim ou não a esta usina nuclear, algo também bastante exeqüível. Pode ver também que a saúde no estado está um caos, mesmo com toda propaganda, com um dos candidatos denunciando cerca de 500 óbitos na nova emergência clínica do Hospital da Restauração, e se comprometendo em respeitar o Conselho Estadual de Saúde, hoje desmoralizado pelo atual governo. Tudo muitíssimo exeqüível.
Talvez os debates, nos formatos que hoje se apresentam, sejam insuficientes, mas são espaços minimamente democráticos em que os candidatos podem confrontar-se e não tratar os eleitores como idiotas, com suas peças publicitárias.
De minha parte, as eleições deveriam ter debates entre os candidatos todas as semanas, organizados pela justiça eleitoral e obrigatórios a todos os candidatos majoritários, para debater temas específicos: educação; saúde; meio ambiente; sistema carcerário; saneamento; infra-estrutura; questão agrária; cultura; segurança; drogas; etc. As propostas deveriam ficar armazenadas como compromisso público e cobradas devidamente dos que ganham e também dos que perdem, pois estes muitas vezes não se adaptam à situação de oposição e migram sem cerimônia para o colo dos que venceram as eleições.
Candidato ao governo do Estado pelo PSOL
Política em forma bruta e elaborada, debate, mobilização, indignação, resistência, alternativas, inquietude...
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
MUDANÇA URGENTE DE AGENDA!
Neste domingo deveríamos estar em Ouricuri e Serra Talhada, mas desdobramentos do debate na Band nos impedem de sair do Recife neste domingo. Acontecerá reunião extraordinária da coordenação de campanha para traçar estratégias para as ações da candidatura no início da semana. Logo mais divulgaremos a agenda da semana.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Resposta ao Blog do Jamildo
Caro Jamildo, li em seu blog as análises sobre o debate de ontem na Clube. Sobre os aspectos que levantamos no debate, você destacou a questão da usina nuclear e os gastos comparativos no combate ao crack e aqueles que estão sendo mobilizados para a construção da cidade da Copa. Sentimos a necessidade de expor, para efeito de esclarecer nosso ponto de vista, algumas considerações:
1 – A Constituição de Pernambuco expressa o veto ao empreendimento de usinas movidas a combustível nuclear em nossas fronteiras. Se esta norma da nossa Constituição Estadual é Inconstitucional, em relação à Constituição Federal, é tema para debate e resolução a partir não só das cortes do poder Judiciário, mas também a partir das regras democráticas, por parte daqueles que detém a soberania popular, a população, através dos mecanismos constitucionais previstos. Portanto, o que está posto, do ponto de vista jurídico, é um conflito, e o governador do estado de Pernambuco tem uma Constituição a observar;
2 – Descolando-nos da esfera jurídica no tema energia nuclear, entramos na esfera política, democrática, da transparência. Um tema desta envergadura – instalação de uma usina nuclear em Pernambuco -, não pode ser debatido e resolvido com meia dúzia de interessados, em petit comitê, entre o governador, alguns líderes na assembléia, da imprensa e setores empresariais. Por isso nossa proposta é a realização de um amplo debate na sociedade, com conferências públicas sobre o tema, e a decisão sendo tomada via plebiscito. Pelo sim ou pelo não, o debate será feito e a decisão será a mais amadurecida e democrática possível;
3 – Sobre o crack e o comparativo com os recursos para a Copa, esta comparação está dentro de um contexto e buscou mostrar que o Estado tem capacidade de investimento para tratar um tema tão grave como o crack de forma distinta. Poderíamos ter comparado, por exemplo, os recursos desviados da Fundarpe neste governo (mais de R$ 60 milhões) com os cerca de R$ 52 milhões destinados às políticas de combate ao crack e seus efeitos. Exemplos não faltam da ausência de compromisso deste governo com o desenvolvimento social. Infelizmente, nos debates temos de 30 segundos a 90 segundos para falar sobre o mundo que nos cerca.
Agradeço a publicação,
Edilson Silva, candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL.
1 – A Constituição de Pernambuco expressa o veto ao empreendimento de usinas movidas a combustível nuclear em nossas fronteiras. Se esta norma da nossa Constituição Estadual é Inconstitucional, em relação à Constituição Federal, é tema para debate e resolução a partir não só das cortes do poder Judiciário, mas também a partir das regras democráticas, por parte daqueles que detém a soberania popular, a população, através dos mecanismos constitucionais previstos. Portanto, o que está posto, do ponto de vista jurídico, é um conflito, e o governador do estado de Pernambuco tem uma Constituição a observar;
2 – Descolando-nos da esfera jurídica no tema energia nuclear, entramos na esfera política, democrática, da transparência. Um tema desta envergadura – instalação de uma usina nuclear em Pernambuco -, não pode ser debatido e resolvido com meia dúzia de interessados, em petit comitê, entre o governador, alguns líderes na assembléia, da imprensa e setores empresariais. Por isso nossa proposta é a realização de um amplo debate na sociedade, com conferências públicas sobre o tema, e a decisão sendo tomada via plebiscito. Pelo sim ou pelo não, o debate será feito e a decisão será a mais amadurecida e democrática possível;
3 – Sobre o crack e o comparativo com os recursos para a Copa, esta comparação está dentro de um contexto e buscou mostrar que o Estado tem capacidade de investimento para tratar um tema tão grave como o crack de forma distinta. Poderíamos ter comparado, por exemplo, os recursos desviados da Fundarpe neste governo (mais de R$ 60 milhões) com os cerca de R$ 52 milhões destinados às políticas de combate ao crack e seus efeitos. Exemplos não faltam da ausência de compromisso deste governo com o desenvolvimento social. Infelizmente, nos debates temos de 30 segundos a 90 segundos para falar sobre o mundo que nos cerca.
Agradeço a publicação,
Edilson Silva, candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL.
Uma rápida avaliação do debate
Estivemos ontem no debate da Band/Clube. Debate sempre é bom, independentemente das regras serem mais ou menos rígidas. Há a exposição de propostas, análises, contradições. Foi positivo.
Em nossa avaliação, no entanto, ainda não foi possível explorar o Pernambuco real que vivemos. 5° pior IDH, uma das piores áreas da educação do país, salário do magistério mais baixo do Brasil, saúde mergulhada no caos.
O formato e a ordem nos sorteios permitiu ao atual governador não enfrentar-se com a realidade, ainda. O confronto direto que teve com Jarbas produziu o resultado esperado, pois Jarbas não tem condição de réplica e tréplica contra o atual governo, dado a qualidade de seus oito anos de gestão.
O governador leva vantagem quando se confronta com o governo anterior, e não com o presente e o futuro, representado no debate, entre outros, por nossa candidatura. Infelizmente, neste debate, o governador, representante da recomposição de uma direita repaginada em nosso Estado, conseguiu escapar do confronto que lhe feriria com mais profundidade.
Apesar disto, acho que cumprimos o papel que nos propomos: mostrar a realidade do estado e propostas simples e objetivas. Foram poucos minutos, direcionados sempre sob a pressão midiática de apresentar propostas, nem que sejam invenções fantásticas. Não caímos nesta armadilha.
Dissemos em alto e bom tom que o salário dos professores é o mais baixo do Brasil e que vamos elevá-lo no primeiro dia de governo ao piso nacional do magistério. Dissemos que a saúde continua um caos, com centenas de óbitos nas emergências, e que precisamos voltar a respeitar a conferência de saúde e seu conselho estadual como parceiros na condução da gestão da saúde pública. Dissemos que a atual gestão é autoritária, centralizadora, privatizadora do governo, e que propomos a criação de uma lei de responsabilidade social e ambiental para disciplinar a gestão pública estadual. Defendemos o planejamento estratégico, democrático e solidário das ações e a efetiva participação popular na definição dos temas mais estruturais do estado, como na construção da usina nuclear.
A campanha está começando agora. Vamos em frente. Utilizamos bem o primeiro debate.
Em nossa avaliação, no entanto, ainda não foi possível explorar o Pernambuco real que vivemos. 5° pior IDH, uma das piores áreas da educação do país, salário do magistério mais baixo do Brasil, saúde mergulhada no caos.
O formato e a ordem nos sorteios permitiu ao atual governador não enfrentar-se com a realidade, ainda. O confronto direto que teve com Jarbas produziu o resultado esperado, pois Jarbas não tem condição de réplica e tréplica contra o atual governo, dado a qualidade de seus oito anos de gestão.
O governador leva vantagem quando se confronta com o governo anterior, e não com o presente e o futuro, representado no debate, entre outros, por nossa candidatura. Infelizmente, neste debate, o governador, representante da recomposição de uma direita repaginada em nosso Estado, conseguiu escapar do confronto que lhe feriria com mais profundidade.
Apesar disto, acho que cumprimos o papel que nos propomos: mostrar a realidade do estado e propostas simples e objetivas. Foram poucos minutos, direcionados sempre sob a pressão midiática de apresentar propostas, nem que sejam invenções fantásticas. Não caímos nesta armadilha.
Dissemos em alto e bom tom que o salário dos professores é o mais baixo do Brasil e que vamos elevá-lo no primeiro dia de governo ao piso nacional do magistério. Dissemos que a saúde continua um caos, com centenas de óbitos nas emergências, e que precisamos voltar a respeitar a conferência de saúde e seu conselho estadual como parceiros na condução da gestão da saúde pública. Dissemos que a atual gestão é autoritária, centralizadora, privatizadora do governo, e que propomos a criação de uma lei de responsabilidade social e ambiental para disciplinar a gestão pública estadual. Defendemos o planejamento estratégico, democrático e solidário das ações e a efetiva participação popular na definição dos temas mais estruturais do estado, como na construção da usina nuclear.
A campanha está começando agora. Vamos em frente. Utilizamos bem o primeiro debate.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
HOJE DEBATE NA CLUBE/BAND
Hoje tem debate na Band/Clube, às 22 horas. Contamos com sua audiência e torcida para que possamos passar bem nosso diagnóstico do estado de Pernambuco e nossas propostas para o estado. Vamos nos esforçar muito para isso.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A sinceridade de Jamildo e as alucinações de Evaldo Costa
Texto de Edilson Silva - publicado no Blog do Jamildo
Não resisti e dou aqui uma pausa de alguns minutos nos meus incontáveis afazeres para meter minha colher neste angu “ideológico” entre Jamildo e Evaldo Costa, acerca da identidade ideológica da suposta esquerda que está no poder. Jamildo mostrou, em minha opinião, que é um liberal convicto, posição bastante distinta da minha, que não acredito na supremacia do mercado, mas no planejamento democrático e solidário. Não defendo o fim absoluto e mecânico do mercado, mas a sua subordinação a diretrizes bem planejadas. Contudo, Jamildo provou, em minha opinião, que não é míope e nem é besta, ao afirmar que Eduardo Campos vale-se da doutrina do liberalismo econômico em seu governo.
Já Evaldo Costa sofre do mal inverso. Critica o liberalismo “ortodoxo” e jura de pés juntos que seu governo é popular, de esquerda, suspeito até que pense que é socialista. Concordo com a crítica à ortodoxia liberal-econômica – que não pode de forma alguma ser confundido com liberalismo político -, mas é inegável que seu governo está no quadrante do que sobrou do Consenso de Washington. Sim, do que sobrou da explosão da crise econômica de 2008.
Tivesse a tese ortodoxa neoliberal vigente como doutrina hegemônica, a selvageria do mercado estaria sendo tratada como único caminho possível, como o foi na privatização do Bandepe durante o governo Arraes, cujo governador atual era o super-secretário; ou como foi tratada a Celpe, que foi colocada na bandeja da privatização também sob a batuta do atual governador e então super-secretário Eduardo Campos.
Os governos federal e estadual atuais se adaptam às teses hegemônicas dos grandes grupos capitalistas internacionais, e estes agora dizem o seguinte: o mercado precisa socorrer-se nos cofres públicos para sobreviver e manter as altas taxas de lucros no sistema capitalista. Ou vocês acham que a General Motors, um símbolo do capitalismo, recebeu ajuda bilionária dos recursos do tesouro norte-americano por quais motivos? E os grandes bancos privados?
O capitalismo, desde a crise de 1929, vem alternando mais ou menos intervenção estatal na economia, ao sabor de suas crises cíclicas. Em crises gravíssimas, pede socorro ao estado, admitindo soluções com vieses keynesianos, algo parecido com o que Eduardo e Lula fazem hoje no Brasil e Pernambuco, estatizando investimentos para facilitar a extração privada de mais-valia e gerando uma brutal concentração de renda. Quando esta fase exaure-se, retornam à ortodoxia, buscando a apropriação privada direta (privatização) dos investimentos feitos pelo Estado. Então, não precisa haver desentendimento entre Evaldo e Jamildo, Jarbas e Eduardo, Dilma ou Serra, pois todos estão afinados na defesa da dinâmica estrutural do pensamento econômico liberal. Óbvio que Jamildo está consciente, e respeito muito sua posição, e Evaldo está ainda delirando.
Sobre os exemplos dados aqui em Pernambuco, a miopia e o delírio do auxiliar do governo tomam ares de cegueira e alucinação profunda. Nenhum governo até hoje, nem FHC e nem Serra, tiveram a coragem de fazer o que Eduardo Campos está fazendo na educação: privatização! Na saúde, há o desmonte do SUS e a privatização que desconstrói o pouco de República que tínhamos nesta área. Na segurança pública, outro escândalo: instituição de recompensa, no melhor estilo cowboy dos filmes hollywoodyanos, para diminuir homicídios. Suape é um verdadeiro garimpo que devasta o meio ambiente e gera mais calor do que luz. Já vimos esta história em Camaçari, na Bahia, e hoje aquela região é um grande favelão. Do ponto de vista da nação, o México é um bom exemplo de que crescimento do PIB, puro e simples, pode significar aumento brutal das desigualdades sociais e conseqüentes convulsões sociais, basta pegarmos umas revistas de poucos anos atrás falando sobre o milagre mexicano e compará-las com as manchetes de hoje sobre o México.
Por fim, se o governo que deu certo, na visão do Sr. Evaldo Costa, é aquele que governa o estado com o 5° pior IDH (índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil; em que a educação não atinge uma meta rebaixada do Ministério da Educação; e que paga o pior salário aos professores em todo o Brasil, torna-se compreensível a epidemia de crack que vitima a sociedade pernambucana. Tem lógica.
Presidente do PSOL-PE e candidato ao governo do Estado
Não resisti e dou aqui uma pausa de alguns minutos nos meus incontáveis afazeres para meter minha colher neste angu “ideológico” entre Jamildo e Evaldo Costa, acerca da identidade ideológica da suposta esquerda que está no poder. Jamildo mostrou, em minha opinião, que é um liberal convicto, posição bastante distinta da minha, que não acredito na supremacia do mercado, mas no planejamento democrático e solidário. Não defendo o fim absoluto e mecânico do mercado, mas a sua subordinação a diretrizes bem planejadas. Contudo, Jamildo provou, em minha opinião, que não é míope e nem é besta, ao afirmar que Eduardo Campos vale-se da doutrina do liberalismo econômico em seu governo.
Já Evaldo Costa sofre do mal inverso. Critica o liberalismo “ortodoxo” e jura de pés juntos que seu governo é popular, de esquerda, suspeito até que pense que é socialista. Concordo com a crítica à ortodoxia liberal-econômica – que não pode de forma alguma ser confundido com liberalismo político -, mas é inegável que seu governo está no quadrante do que sobrou do Consenso de Washington. Sim, do que sobrou da explosão da crise econômica de 2008.
Tivesse a tese ortodoxa neoliberal vigente como doutrina hegemônica, a selvageria do mercado estaria sendo tratada como único caminho possível, como o foi na privatização do Bandepe durante o governo Arraes, cujo governador atual era o super-secretário; ou como foi tratada a Celpe, que foi colocada na bandeja da privatização também sob a batuta do atual governador e então super-secretário Eduardo Campos.
Os governos federal e estadual atuais se adaptam às teses hegemônicas dos grandes grupos capitalistas internacionais, e estes agora dizem o seguinte: o mercado precisa socorrer-se nos cofres públicos para sobreviver e manter as altas taxas de lucros no sistema capitalista. Ou vocês acham que a General Motors, um símbolo do capitalismo, recebeu ajuda bilionária dos recursos do tesouro norte-americano por quais motivos? E os grandes bancos privados?
O capitalismo, desde a crise de 1929, vem alternando mais ou menos intervenção estatal na economia, ao sabor de suas crises cíclicas. Em crises gravíssimas, pede socorro ao estado, admitindo soluções com vieses keynesianos, algo parecido com o que Eduardo e Lula fazem hoje no Brasil e Pernambuco, estatizando investimentos para facilitar a extração privada de mais-valia e gerando uma brutal concentração de renda. Quando esta fase exaure-se, retornam à ortodoxia, buscando a apropriação privada direta (privatização) dos investimentos feitos pelo Estado. Então, não precisa haver desentendimento entre Evaldo e Jamildo, Jarbas e Eduardo, Dilma ou Serra, pois todos estão afinados na defesa da dinâmica estrutural do pensamento econômico liberal. Óbvio que Jamildo está consciente, e respeito muito sua posição, e Evaldo está ainda delirando.
Sobre os exemplos dados aqui em Pernambuco, a miopia e o delírio do auxiliar do governo tomam ares de cegueira e alucinação profunda. Nenhum governo até hoje, nem FHC e nem Serra, tiveram a coragem de fazer o que Eduardo Campos está fazendo na educação: privatização! Na saúde, há o desmonte do SUS e a privatização que desconstrói o pouco de República que tínhamos nesta área. Na segurança pública, outro escândalo: instituição de recompensa, no melhor estilo cowboy dos filmes hollywoodyanos, para diminuir homicídios. Suape é um verdadeiro garimpo que devasta o meio ambiente e gera mais calor do que luz. Já vimos esta história em Camaçari, na Bahia, e hoje aquela região é um grande favelão. Do ponto de vista da nação, o México é um bom exemplo de que crescimento do PIB, puro e simples, pode significar aumento brutal das desigualdades sociais e conseqüentes convulsões sociais, basta pegarmos umas revistas de poucos anos atrás falando sobre o milagre mexicano e compará-las com as manchetes de hoje sobre o México.
Por fim, se o governo que deu certo, na visão do Sr. Evaldo Costa, é aquele que governa o estado com o 5° pior IDH (índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil; em que a educação não atinge uma meta rebaixada do Ministério da Educação; e que paga o pior salário aos professores em todo o Brasil, torna-se compreensível a epidemia de crack que vitima a sociedade pernambucana. Tem lógica.
Presidente do PSOL-PE e candidato ao governo do Estado
domingo, 8 de agosto de 2010
Agenda semanal da chapa majoritária EDILSON 50
Segunda-Feira, 09/08
07h – Panfletagem na UNICAP (Rua do Lazer)
14h – Reunião para ajustes no Guia de TV
17h - Entrevista a veículo especializado em Suape
19h – Reunião com advogados apoiadores da campanha
Terça-Feira, 10/08
17h30 – Gravações do Guia de TV
Quarta-Feira, 11/08
11h – Entrevista à Rádio Liberdade (Caruaru)
15h – Reunião com militantes em Caruaru
19h – Panfletagem na FAFICA (Fac. Filosofia de Caruaru)
Quinta-Feira, 12/08
Preparação para debate entre candidatos na TV Clube
22h – Debate na TV Clube/Band
Sexta-Feira, 13/08
14h – Atividade na Rua da Imperatriz (Boa Vista)
Sábado, 14/08
08h – Atividade em Jaboatão (Centro)
Domingo, 15/08
10h – Atividade em Ouricuri com candidato Adalberto Alencar
14h – Atividade em Serra Talhada com candidato Ari Amorim
07h – Panfletagem na UNICAP (Rua do Lazer)
14h – Reunião para ajustes no Guia de TV
17h - Entrevista a veículo especializado em Suape
19h – Reunião com advogados apoiadores da campanha
Terça-Feira, 10/08
17h30 – Gravações do Guia de TV
Quarta-Feira, 11/08
11h – Entrevista à Rádio Liberdade (Caruaru)
15h – Reunião com militantes em Caruaru
19h – Panfletagem na FAFICA (Fac. Filosofia de Caruaru)
Quinta-Feira, 12/08
Preparação para debate entre candidatos na TV Clube
22h – Debate na TV Clube/Band
Sexta-Feira, 13/08
14h – Atividade na Rua da Imperatriz (Boa Vista)
Sábado, 14/08
08h – Atividade em Jaboatão (Centro)
Domingo, 15/08
10h – Atividade em Ouricuri com candidato Adalberto Alencar
14h – Atividade em Serra Talhada com candidato Ari Amorim
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